Atitudes do paciente e família diante do tratamento

 

***ALGUMAS NOÇÕES DAS DIFICULDADES NA ASSISTÊNCIA AOS PORTADORES DE DOENÇAS MENTAIS E SUAS FAMÍLIAS.

 

I – A DOENÇA MENTAL E O SEU DIAGNÓSTICO.

 

A doença.

 

            A doença mental é manifestada pelo sofrimento, pelo desgaste e pelo prejuízo na vida da pessoa, influindo na sua qualidade de vida.

            Os sinais e sintomas são insistentes, duradouros e muito variados:
Sofrimentos vão desde uma tristeza aparentemente sem importância até uma alegria exagerada.

            Desgaste vai desde um pequeno sacrifício suportável até um cansaço pesado.

            Prejuízos que são de várias naturezas (vida em família, dificuldades no trabalho, reações indesejáveis na relação com as pessoas, desinteresse pelo lazer, etc.).

            Esquisitices nas ideias, comportamentos, reações inadequadas, etc.
É importante ressaltar que cada sinal ou sintoma, quando persistentes, é a expressão perceptível de um funcionamento desorganizado dos neurônios no cérebro da pessoa.

            A mente e suas doenças não são almas, espíritos ou similares. Estas são concepções religiosas e não correspondem a observações sob critérios médicos (científicos) e sim de fé religiosa.

O preconceito:

            As doenças mentais foram encaradas como fundamento para discriminação durante milênios.

            De um modo geral as pessoas ainda lançam mão de preconceitos para nega-la, quando se deparam com manifestações que apontam para a doença mental e costumam dizer frases como abaixo:

            No Paciente: “Está me chamando de louco?”.
No Médico: “Isto não é nada. Isto passa. Procure se divertir, viajar um pouco e vai ficar tudo bem.” “É normal ter isto, estando com esta doença física”, ”Isto é apenas emocional; passa logo.”.

            Na Família e Amigos: “Fulano está tomando remédio controlado”, “Fulano é muito nervoso”. “Tem que internar”.

            Na Opinião Popular: “Isto foi um susto que já passou”. “Também já passei por isso; acaba logo e você segue em frente”.

Co – morbidades:

Co – morbidade é a existência, ao mesmo tempo, de mais de uma doença na mesma pessoa.

            É comum as pessoas terem mais de uma doença mental.
Exemplo: uma pessoa que sofreu um acidente de carro pode ter vários diagnósticos (co-morbidades): fratura de um osso do braço, deslocamento de uma articulação do ombro, corte da pele em um lugar qualquer do corpo, etc.

            Ou pode ter uma fratura óssea e um diabete.

            Nos acidentes mentais é a mesma coisa. Podem acontecer co-morbidade com doenças mentais e físicas.

 

Co-morbidades com doenças mentais:

            Grosso modo, podemos afirmar que a mente é um “organismo” e como tal pode ter mais de um setor afetado e diagnosticado como “uma doença mental”.
Por exemplo, uma pessoa com Transtorno de Distúrbio de Atenção pode ter uma coexistência com Transtorno de Humor Bipolar, ambos graves e causadores de prejuízos na vida das pessoas…

Co-morbidade com doenças físicas:

            A mente não é o mesmo que espírito ou alma. Estas são concepções religiosas e não médicas.

            Pois, a mente está presente em um corpo humano e “faz parte dele”, exercendo e recebendo influencias do organismo físico.

            Por exemplo, em alguém que teve Infarto do Miocárdio ou Acidente Vascular Cerebral é comum surgir uma Depressão. Se não tratar a Depressão, terá 2 vezes mais chances de morrer do que os que não têm Depressão e 4 vezes mais possibilidades de voltar a ter estes acidentes graves.

            Doenças físicas geram Depressão e Depressão gera doenças físicas. Por exemplo, Fibromialgias, hipotireoidismo e outras doenças do corpo.

 

Doença mental e alterações no cérebro:

A tecnologia do diagnóstico por imagens evoluiu muito.

            Hoje, podemos “radiografar” alterações no cérebro ligadas às reações emocionais.

            Uma fala de uma pessoa para outra provoca nesta outra uma reação emocional e uma alteração cerebral.

            Em um assalto ou acidente com risco de vida uma pessoa pode sofrer alterações cerebrais, com conseqüências prejudiciais para o resto da vida, se não houver tratamento adequado.

            Diversas condições físicas afetando o cérebro podem causar doenças mentais e vice-versa.

Diagnóstico:

            Só pode ser feito pelo Médico Psiquiatra. Porque, além dos conhecimentos que envolvem a Mente, o Psiquiatra é um Médico e, portanto capacitado a identificar as relações do Corpo com a Mente e separar as doenças físicas das mentais.
Por exemplo, há doenças físicas cujo início manifesta-se por sintomas mentais, desde o hipotireoidismo até outras muito mais.
graves, incluindo alguns tipos de câncer.

            Se o paciente recebe um diagnóstico de doença mental de profissional NÃO PSIQUIATRA e vai tratando como se fosse isso, pode deixar uma doença agravar-se, evoluir e dificultar muito sua situação ou mesmo acabar morrendo por não ser mais possível tratar a doença do corpo.

            Assim, o primeiro passo é o Diagnóstico pelo Psiquiatra.
Após avaliar, o Psiquiatra orienta os próximos passos do diagnóstico: exames com outros médicos especialistas, com psicólogos, etc.

Obstáculos ao diagnóstico:

Na opinião do povo:

            “É bobagem procurar médico por causa disso”

            “Todo mundo sofre um pouco com mudanças, isso passa”.

            “Vou esperar pra ver se passa”

            “A culpa é dos outros”

            “A falta de dinheiro é que provoca isso.”

            “Faça uma viagem que cura isto”.

 

Alguns dos sinais e sintomas apontando para a doença mental:

            Nas crianças e adolescentes: pesadelos frequentes, queda no rendimento escolar, nos jogos e nas brincadeiras, choro exagerado, desatenção, esquecimentos freqüentes, doenças físicas freqüentes, retraimento, medos, comportamentos furtivos (escondidos), inibições, “criança assustada e medrosa” , etc.

            Várias doenças mentais muito graves começam na infância e adolescência. Se não forem diagnosticadas e tratadas nesta fase, vão se tornar mais complicadas, com prejuízos para o resto da vida.

Nas mulheres:

            Falta de desejo e prazer sexual, sentimentos frequentes de insegurança, medos, tristeza frequente, dores frequentes, reações de susto, raivas e zangas frequentes, medos exagerados, dormências e formigamentos no corpo, reações de “esconder” do marido ou dos filhos, obrigação de ser responsável por tudo na família, exageros religiosos ou morais, subordinação à infelicidade, sempre esperando alguma coisa ruim que vai acontecer, etc.

Nos homens:

            Sentimentos de fracasso diante de situações frustradoras, contrariedade freqüente na prática da profissão, falta de confiança e esperança, desconfiança constante das pessoas ao seu redor, exagerada dedicação ao futuro de si mesmo e sua família, ser “dono da verdade”, etc.

            Os sinais e sintomas acima devem ser duradouros, persistentes, por mais de duas semanas ou meses.

Na opinião dos médicos do corpo:

            “Isto é apenas emocional e não está causando tanto prejuízo”

            “Vou esperar mais um pouco. Se precisar encaminho para o Psicólogo”.

            “Vamos aguardar a evolução; se continuar encaminho para o Psiquiatra”.

            Nestas posturas os colegas estarão correndo um risco de se tornarem responsáveis por algo que se negaram a levar a sério;
que o
sofrimento do paciente é que orienta nossas decisões técnicas.

            E não a nossa “opinião” sobre uma queixa que não está em nossa área de especialidade médica.

            Se a queixa não é conseqüência direta de um problema no corpo o encaminhamento imediato é fundamental e responsável.

 

Dependentes químicos e alcoolistas:

            Em particular quero chamar a atenção para o diagnóstico em Dependentes Químicos e Alcoolistas.

            Nestas pessoas geralmente são tratadas nas CONSEQUENCIAS do abuso de álcool e drogas, sobretudo por insistência dos pacientes e seus familiares que responsabilizam as drogas e o álcool pelos sofrimentos de todos na família.

            E quase sempre exigem a internação como forma de alívio para todos, quando são raros os casos de alcoolistas e drogados que precisam de internação.
Em meu ponto de vista, é fundamental buscar a ocasião e as RAZÕES QUE OS LEVARAM ao abuso de álcool e drogas.

            Pois, ali encontraremos os elementos causadores de sofrimentos (as doenças mentais) que levaram estas pessoas a buscarem os “psiquiatras mais bonzinhos do mundo (dono do boteco e traficante) e os remédios mais gostosos” (álcool e drogas), quando COMEÇARAM A SE AUTOMEDICAR COM ALCOOL E DROGAS.

            Tais pessoas geralmente precisam receber os DOIS tratamentos:


1 – Para a doença mental que jamais trataram antes e que evoluiu (por isso estas pessoas aumentam seu consumo de álcool e drogas ao longo da vida, tentando esconder a doença que está evoluindo).

            2 – Para as consequências do abuso de álcool e drogas.

 

II- A OCORRÊNCIA DAS DOENÇAS MENTAIS NA POPULAÇÃO.

Causas de doenças mentais.

Situações de sofrimento emocional como:


Sofrer ou praticar agressões físicas, acidentes de todo tipo em que a segurança da pessoa foi seriamente exposta a riscos, mudanças de ambiente (de residência, de cidade ou região geográfica), convivência com doenças físicas e mentais prolongadas na família, sentimento duradouro de fracasso, decepção ou triunfo, alegria exagerada e duradoura, herança (de modelos de comportamentos rígidos pelo aprendizado autoritário e de doenças geneticamente hereditárias), sujeição a superiores hierárquicos autoritários e violentos, doenças físicas prolongadas ou incuráveis, desenlaces amorosos penosos e conflitantes, crenças muito rígidas que impões restrições e discriminações exageradas (religiosas, políticas, morais, etc.), fatôres hereditários, etc.

Conseqüências da falta de tratamento ou de tratamentos insatisfatórios:

            Além do que citamos, uma conseqüência muito séria está na atitude do paciente diante do tratamento.

            Menos da metade dos pacientes que vão à primeira consulta com o Psiquiatra assume seguir um tratamento ou voltar ao retorno marcado.

            Uma grande parte dos pacientes que marcam a segunda consulta não comparece.

Um dos argumentos mais frequentes está na indagação:

Este remédio não causa dependência?”

Dependência física de medicamento psiquiátrico é extremamente rara acontecer.
E dependência psíquica é também muito rara.

            O que acontece, embora pouco frequente, é o paciente encontrar em algum medicamente uma espécie de amparo para suavizar as suas reações emocionais (tristezas, ansiedades, insônias etc.) ao tipo de vida que tem, onde os estímulos que despertam estas reações são cotidianos.

            O médico usa o medicamento por um tempo determinado para combater e eliminar a doença, melhorando a Vida do paciente, pelo tempo que a droga for necessária. 

            A dependência de medicação para melhorar as condições de qualidade de vida é uma necessidade e o recurso do Psiquiatra, tal como dependemos da água para tomar banho.
A atenção que se dá à dependência como vício, que piora a qualidade de vida do paciente, é um cuidado que o Psiquiatra tem e procura evitar as drogas que causam dependência.

“Já estou bom. Não preciso mais do remédio, nem do Psiquiatra.”

            Medicamentos usados na Psiquiatria não podem ser interrompidos bruscamente, podendo causar efeitos danosos se a retirada não for orientada pelo médico e no momento certo do tratamento.

            Outro aspecto, ainda mais grave é que o alívio inicial dos sofrimentos não significa que a doença (e o dano causado no cérebro) já tenha sido removida.

            Mesmo depois de ter acontecido o alívio dos sofrimentos principais, é necessário seguir a orientação do Psiquiatra. Pois muitas doenças demoram para serem curadas no cérebro, mesmo quando os sintomas desaparecem. E algumas exigem medicamento para a vida toda, a fim de manter a qualidade de vida do paciente em melhores condições.

“Este remédio está me fazendo mal. Vou parar com ele e com os Psiquiatras”.


Medicamentos usados na Psiquiatria podem ter efeitos colaterais indesejáveis, em baixíssima proporção dos pacientes.

            Quando eles surgem, o paciente deve imediatamente procurar o Psiquiatra, porque existem meios de se evitar os sofrimentos por causa de medicações. Mas, a orientação deve ser dada pelo psiquiatra, para se proteger o tratamento que combate a doença.

A doença mental não tratada ou com tratamento incompleto tem resultados graves na vida da pessoa e dos que a rodeiam:

            Pois, em uma família onde um doente mental sofre, todos passam a sofrer. Doença mental é “altamente contagiosa”…

            Os filhos, sobretudo crianças, do doente mental correm grandes riscos de se tornarem doentes mentais.

            O paciente irá, muito provavelmente, cultivar o surgimento de uma doença mais grave e muito mais difícil de tratar no futuro.

            Estará, com grandes possibilidades de se tornar incapaz de exercer qualquer tipo de trabalho quando isto acontecer.

Por exemplo, a Depressão é hoje a 4ª causa de incapacitação profissional no mundo. Já é uma das principais causas de morte no mundo.

            As doenças mentais estão previstas a se tornarem uma das 3 primeiras causas de morte na humanidade nos próximos anos e provavelmente a principal causa de incapacitação profissional. Pois já ocupam um dos primeiros lugares atualmente.

III – OS TRATAMENTOS.

Uma reação inicial que merece atenção:

            Em todas as áreas da Medicina, a pessoa que sofre busca no médico o profissional e um ambiente de acolhimento e tratamento de seus padecimentos.

            E é o que geralmente encontram.

            Todavia, atualmente, pacientes podem entrar nos consultórios médicos em um clima de desconfiança.

Pois:
Pacientes aterrorizam-se com a imagem de possível erro médico.
Médicos aterrorizam-se com a possível atitude hostil de pacientes, que poderão processa-los, extorqui-los, difama-los, etc.

Isto é a doença mental fazendo parte da relação médico-paciente.

            Pois, na verdade esta desconfiança mútua não se baseia na realidade da dupla médico e paciente, no encontro real que estão vivendo em uma consulta.

            Os dados que sustentam esta desconfiança estão na imaginação de um deles ou dos dois e podem influir seriamente nos resultados de uma consulta e tratamento.

            É desejável, sobretudo na primeira consulta em Psiquiatria, trabalhar este fenômeno preventivamente.

            E este trabalho já é parte do tratamento, porque estará sendo uma abordagem na vida mental do paciente, propiciando criar confiança e uma aliança para o tratamento vir a ser mais bem sucedido.

A consulta psiquiátrica.

            Da consulta psiquiátrica é desejável que surjam informações o mais completas possível para o paciente e seus acompanhantes sobre a doença mental diagnosticada, o tratamento medicamentoso e seu planejamento (efeitos benéficos e possibilidades de efeitos colaterais e a futura suspensão planejada dos medicamentos).

Para o Psiquiatra existem 3 planos a serem considerados em um Tratamento:

            1 – O físico, no corpo do paciente, onde o medicamento atua, sempre orientado pelo Psiquiatra,

            2 – O psicológico, onde o paciente pode trabalhar sozinho ou, quando possível, ter a ajuda de um profissional que pode ser o próprio Psiquiatra (ou outros profissionais como Psicólogo, etc.).

            3 – O social; família, trabalho, etc.

Se o Psiquiatra não puder contar consigo mesmo (por razões de formação técnica, falta de tempo, etc.) é possível fornecer ao paciente o recurso que descrevo a seguir.

IV – IMPEDIMENTOS AOS TRATAMENTOS.

            Embora Psiquiatras, pacientes e suas famílias queiram um tratamento bem sucedido, existem razões poderosas que se opõem a este sucesso.
Uma destas razões, que destaco aqui, é a condição econômica:

1 – Do Psiquiatra.

            A absoluta maioria da população é atendida mediante
remuneração baixíssima oferecida aos Médicos nos Empregos Públicos e Planos de Saúde, com exigência de uma quantidade mínima de pacientes a serem assistidos em um tempo determinado.

            Isto obriga a uma trágica redução da necessária Assistência
por parte do Psiquiatra nos 3 planos acima descritos citados.

2 – Do paciente.

            É comum o paciente acreditar que “seu Plano de Saúde ou a
Saúde Pública” tem que propiciar seu tratamento, porque ele paga o Plano de Saúde e os impostos.

            E isto está na própria Constituição do País.
Mas, infelizmente, sabemos que na realidade isto não
acontece.

            E, nesta realidade, o Psiquiatra tem que pagar suas contas e
por isso submete-se às condições econômicas dos Planos de Saúde e remuneração no Serviço Público.

Isto é diferente da adaptação conciliatória que se faz quando o
paciente particular não pode pagar o valor pleno da consulta e o Médico adapta-se ao que o paciente diz que pode pagar.

 

O funcionamento mental do paciente.

            É desejável que a medicação não seja o único recurso no combate à doença mental. Pois, há uma atuação que somente os próprios pacientes podem realizar; o trabalho com seu funcionamento mental.

Os sofrimentos impostos pela doença mental geralmente surgem de 3 maneiras:

            1 – Nas ideias.


2 -Nos sentimentos.


3 – Na vontade de agir, de fazer alguma coisa.

            Imaginemos um banquinho de 3 pernas, de madeira, onde cada perna do banquinho representa:

1 – IDEIAS

2 – SENTIMENTOS

3 – VONTADE DE FAZER

            Quando se quer conforto, tranqüilidade e bem estar e só temos um banquinho desses, qual a primeira coisa a fazer?
Muitos respondem “Sentar no banquinho”.

            Está errado!

            Porque uma ou mais das pernas do banquinho pode estar defeituosa e o resultado será uma queda, acrescentar mais sofrimentos…

            A resposta à pergunta acima é “observar e examinar as pernas do banquinho”.

Vamos considerar que na Saúde Mental temos 3 fatores importantes que são as idéias, sentimentos e vontade de fazer algo.

            EXPLICO ao paciente (ou grupo de pacientes, na Saúde Pública) que no exemplo do banquinho estes fatores (ideias, sentimentos e vontade de fazer algo) serão as pernas debaixo do assento. Este assento é a segurança e conforto buscado pelo paciente e sua família.

Este modelo do “banquinho de três pernas” pode ser aplicado em três passos:

1º passo:

Dirigindo-me ao paciente:

            “Vejo sua bolsa e acho que você trouxe um enorme diamante para me dar de presente”.

EXPLICO-LHE QUE ISTO É UMA IDÉIA CRIADA PELA MINHA MENTE, SEM QUALQUER INFORMAÇÃO VERDADEIRA.

Pergunto a ele:

“Esta idéia é válida, baseada em verdades ou em minha ilusão?”


NESTE PRIMEIRO PASSO O PACIENTE É LEVADO A EXAMINAR O QUE SE PASSA E APRENDER DA DISTINGUIR ENTRE VERDADES E ILUSÕES.

 

2º passo

Falo:

            “A idéia de ganhar este presente me enche de muita alegria”.

            “A idéia de você não me dar o presente me faz ficar muito triste, aborrecido OU COM RAIVA”.


EXPLICO-LHE QUE ESTES SÃO SENTIMENTOS.

            Pergunto-lhe:

            ”Estes sentimentos são confiáveis ou pura ilusão?”

NESTE SEGUNDO PASSO ESTIMULO O PACIENTE A OBSERVAR E IDENTIFICAR SEUS PRÓPRIOS SENTIMENTOS E O QUE (VERDADES OU ILUSÕES)  CAUSAM.

3º passo:
Dirigindo-me ao paciente (ou grupo):

“Como acho que você não vai me entregar o diamante eu vou pegar sua bolsa e sair correndo ?”


EXPLICO QUE ISTO É A VONTADE DE FAZER ALGUMA COISA.


Pergunto ao paciente (ou grupo):

“Esta vontade vai melhorar ou piorar alguma coisa”?
“É conveniente para mim seguir idéias e sentimentos de ilusão?”
NESTE TERCEIRO PASSO BUSCO ESTIMULAR O PACIENTE A USAR SUA PRÓPRIA INTELIGÊNCIA, VERDADES E POR EM MARCHA UMA CAPACIDADE DE PENSAR.

 

            Este pequeno e rápido exercício, praticado na consulta individual ou em um grupo de pacientes que a seguir vou consultar individualmente, tem o seguinte resultado:


1 – Estimula o paciente a começar a distinguir seu mundo real do imaginário.

            2 – Fornece a ele um instrumento para iniciar o trabalho com sua própria mente. É claro que nem todos conseguem assimilar isto, sobretudo os casos organo-cerebrais; mas, seus acompanhantes aprendem e mudam a influencia da doença mental na família cuidando de suas próprias reações.

            3 – Incremento a aliança terapêutica e conseqüente adesão ao tratamento.

Além do tratamento medicamentoso, o Psiquiatra lança mão dos recursos:

            1 – Psicoterapias, com ele mesmo ou outros profissionais que ele indica.

            2 – Indica também certas atividades a serem modificadas na rotina do paciente, que ele considera danosas, como reorganização alimentar e aprendizados diversos para correção de hábitos danosos.

            3 – Indica atividades a serem adotadas, como atividades de lazer, esporte e jogos que mobilizem reajustamentos mentais, sobretudo para crianças e adolescentes (indico frequentemente as artes marciais—kung fu, jiu jitsu ou judô), etc.

Enfim, o tratamento das doenças mentais não deve ficar restrito aos medicamentos e ao Psiquiatra, embora seja ele o Criador e Coordenador do esquema terapêutico a ser adotado.

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