Normalidade e Doença Mental

 

CONFLITO ORIGINAL, ADEQUAÇÕES E ADULTERAÇÕES

 

            Todo e qualquer ser vivo (animal, vegetal ou humano) traz em si mesmo um conflito de origem natural que são as suas tendências pró Vida e suas tendências pró Morte.

            A organização pelas Leis da Natureza destas duas tendências apresenta-nos um encaminhamento adequado deste conflito, cujo resultado é o comportamento de cada indivíduo (e de cada espécie) zelando pela sua sobrevivência no espaço de tempo determinado geneticamente para viver sua existência.

            Assim, podemos observar os comportamentos dos animais selvagens exercendo suas tendências pró Vida nos hábitos de conforto, de alimentação, de procriação, suas migrações, atividades de lazer, etc. E também podemos notar como se adaptam aos climas, sem agredir a Natureza e o planeta, assim como suas atitudes agressivas são adaptadas à Vida e surgem somente em defesa de sua própria sobrevivência e de sua espécie.

            Ainda observando os animais, podemos concluir que os seus Valores de Referência obedecem às Leis da Natureza, onde cada espécie tem seu próprio tipo de alimentação, de hábitos alimentares, de moradias, etc., sempre ajustados ao organismo físico do indivíduo (e da espécie), às suas células e funcionamento pró Vida. Esta alimentação é baseada nas necessidades naturais (valores realistas) das células destes animais.

Por exemplo:

            Os mamíferos nascem, alimentam-se do leite materno por um tempo determinado, DESMAMAM e passam à alimentação apropriada para seu organismo; os herbívoros vão ser alimentados por vegetais e os carnívoros buscam a carne de outros animais por eles escolhidos naturalmente. E NÃO VOLTAM A BEBER LEITE.

            O ser humano modificou o comportamento em suas tendências pró Vida, ELIMINANDO VALÔRES DE REFERÊNCIA QUE OBEDECEM ÀS LEIS DA NATUREZA. Tornou-se o único mamífero a BEBER LEITE DEPOIS DE DESMAMADO, ADULTERANDO-SE em relação às Leis da Natureza como mamífero. E estimulou os animais ao seu redor a se tornarem também adulterados; nossos cães e gatos também bebem leite depois de desmamados…

            Esta adulteração apoia-se em um Valor Imaginário, como referência para o comportamento pró Vida que é a ALIMENTAÇÃO BASEADA NO SABOR.

            Ainda utilizando as adulterações quanto à alimentação, podemos confrontar os valores NATURAIS com os valores CONVENCIONADOS.

Valores são aqueles fatores que direcionam as definições que comandam o comportamento dos indivíduos.

Os valores são:

            1-Naturais quando obedecem as Leis da Natureza.

            Estes valores criam resultados compatíveis e harmônicos com a Natureza, sempre zelando pelas tendências pró Vida do indivíduo e da espécie. Jamais podem ser questionados, porque são correspondentes a FATOS CONCRETOS (fogo esquenta e queima, água molha, etc.), verdades soberanas.

            2-Imaginários quando são gerados pela imaginação.

            Estes valores imaginários sempre criam adulterações, desviando-se dos valores naturais e fragilizam o indivíduo e a espécie. Isto porque estes valores são frutos da imaginação humana e trazem embutidas todas as forças mentais das tendências pró MORTE. Por exemplo, comer uma refeição até sentir a tão “barriga cheia” que não cabe mais nada, não deixar nada no prato.

            Por isso é necessária uma constante vigilância sobre a atuação destes valores imaginários, sempre buscando ajusta-los aos valores naturais, evitando ficarmos escravizados pelas tendências pró Morte. Por exemplo, comer uma refeição até não sentir mais fome, deixando no prato o que restou, mesmo que a comida seja muito gostosa.

            É impossível escaparmos da Morte como determinação genética (o que acontece com os animais selvagens, como Lei Natural).

            Mas podemos escapar da MORTE PRECOCE que acontece por determinação dos valores imaginários, muito antes da que é GENETICAMENTE DETERMINADA para nossa espécie humana.

            Consideremos alguns fatos característicos ocorrendo na espécie humana:

            Somos os únicos mamíferos a beber leite depois de desmamados.

            Somos a única espécie viva onde acontecem “DOENÇAS DE INFÂNCIA”. O correto seria dizer “doenças NA infância”, porque doença NÃO É PARTE DE INFÂNCIA. Crianças com doenças sofrem os resultados dos valores familiares e culturais adulterados que provocam o rebaixamento do sistema imunológico durante as gestações nas mães e recém-nascidos.

            Somos os únicos seres vivos que atacam e matam seus semelhantes sem razões ligadas à sobrevivência da espécie e do indivíduo.

            Somos os únicos seres vivos que atacam e destroem o seu meio ambiente, do qual dependemos para sobrevivermos. Temos muitos comportamentos como predadores de nós mesmos e do que nos rodeia (gente e Natureza), que até achamos dignos de aplausos como vemos em todos os “modismos sensacionalistas”…

            Somos os únicos seres vivos que procuram adulterar o próprio corpo. Chegamos até a nos orgulharmos disso…

            Somos os únicos seres vivos a escolher moradias que representam riscos. As minhocas são mais inteligentes ao procurar moradia…

            A lista deste tipo de evidências em nossos comportamentos seria imensa para caber aqui neste texto!

            Estas evidências apontam para um conflito original, ENTRE AS NOSSAS TENDÊNCIAS PRÓ-VIDA e TENDENCIAS PRÓ MORTE.

            As religiões, escolas filosóficas, éticas morais, etc. sempre trataram este fenômeno em um contexto religioso, filosófico ou ético.

            Nosso interesse neste portal da internet, em nossos textos, é abordar este fenômeno tanto quanto possível com a busca de conhecimentos científicos, verdadeiros em si.

 não temos a menor pretensão de discutir ou contestar opiniões religiosas, filosóficas ou morais!

 

DEFINIÇÕES DE NORMALIDADE EM SAÚDE MENTAL

            Qualquer um que desejar obter mais informações poderá buscar estas definições nos livros científicos, até mesmo pela internet, irá encontrar diversas opiniões que não precisamos relatar aqui.

            O que importa é que estas definições sempre estão dependendo da maneira de enfocar, evidenciando que os valores considerados não são os mesmo entre as diversas conclusões do que é NORMALIDADE em Saúde Mental.

            Com respeito ao que É DOENÇA as definições são iguais ou até mesmo parecidas.

            Por exemplo, se um indivíduo apresenta sinais e sintomas expressivos de uma psicose (transtorno bipolar ou esquizofrenia) nenhum psiquiatra irá discordar quanto à existência da doença grave e seu tratamento. Mas, poderão surgir discordâncias quanto ao “diagnóstico exato”—transtorno bipolar ou esquizofrenia?— porque isto depende da maneira de ver do psiquiatra. Mas, a definição de doença grave e necessidade de tratamento com uma medicação básica será a mesma!

            Portanto, a parte das definições que utiliza os valores naturais identifica as verdades na psicose; o funcionamento patológico do paciente é perceptível por si mesmo.

            Mas, a parte das definições que depende da maneira de ver e pensar, onde os valores imaginários exercem forte influência no psiquiatra (como ser humano) pode criar resultados diferentes.

            O exemplo acima serve para toda e qualquer experiência existencial humana.

            Pois, sempre iremos encontrar as verdades naturais e concretas, inquestionáveis (valores naturais) e nossos componentes mentais imaginários que “acreditamos serem verdadeiros”, na totalidade de nossos comportamentos, com raríssimas ressalvas.

Se somos assim adulterados mentalmente, o que seria a normalidade?

            Em minha opinião, a Normalidade em Saúde Mental é o gerenciamento da qualidade de Vida, em cada experiência que estejamos vivendo nas condições do contexto real desta experiência (fato), sempre no espaço e tempo presentes.

Este gerenciamento implica em:

            1 – Saber de si mesmo; o que é você no fato que está vivendo, suas condições pessoais, suas capacidades e limitações, seus desejos, suas necessidades físicas e emocionais, etc.

            2 – Conhecer o contexto em que está inserido; onde está, o que existe ao seu redor, o que está ao seu alcance, os limites reais e absolutos, possibilidades e certezas sobre as respostas do contexto real a cada manifestação sua, etc.

            3 – Pensar sempre antes de agir; raciocinar com os dados dos itens 1 e 2 acima.

            4 – Definir O QUE LHE É CONVENIENTE no fato que está vivendo.

            5 – Ter sempre uma PERSPECTIVA DE FUTURO (imediato, a meio prazo e mais distante) e saber quais as consequências do que você faz agora.

            6 – Sempre identificar o que é agir com a sua inteligência e o que é agir com as suas adulterações, seus valores objetivos e válidos.

            7 – Assumir os resultados de suas ações e definir os conhecimentos que elas lhe deixaram.

Alguém poderia dizer que para ser normal assim é ter que aceitar uma tarefa difícil de entender e quase impossível de realizar.

            Tal opinião pode ser verdadeira e reveladora de quanto somos seres anormais.

            Mas, temos outro caminho para preservar e desfrutar nossas tendências pró Vida e evitarmos a escravidão às nossas tendências pró Morte?

            Todavia, se refletirmos melhor, poderemos compreender que este gerenciamento de qualidade de vida é uma capacitação (pensar) que uma pessoa pode começar, progressivamente desenvolver e ficar surpresa com os bons resultados deste crescimento. É como aprender a andar de bicicleta…

 

SISTEMAS DE PENSAMENTO, SAÚDE E DOENÇA

            Ao conceito de “normalidade” acima descrito, acredito poder acrescentar que os 7 itens do gerenciamento de qualidade de vida representam o que denomino PENSAMENTO CRIATIVO. Este é fundamentado em valores naturais e realistas do próprio indivíduo e do seu contexto real em cada experiência que está vivendo.

            O oposto disso está no sistema de PENSAMENTO MANIQUEÍSTA, fundamentado em valores imaginários e dados como válidos, onde os indivíduos são encarados como personagens bons ou maus, certos ou errados, feios ou bonitos, heróis ou vilões, etc.

            Todos nós trazemos em nossas mentes os dois sistemas de pensamento acima citados.

            Quando predomina o sistema maniqueísta estamos construindo as bases para a doença.

            Quando nos esforçamos e preservamos o pensamento criativo estamos reforçando as nossas bases da saúde.

            Da mistura destes dois sistemas de pensamento surgem os valores imaginários que são adotados por convenção na construção da cultura dos povos, de padrões de comportamento para os indivíduos, geralmente com predomínio do sistema maniqueísta…

            Nos livros disponibilizados neste portal estes temas são mais desenvolvidos em suas aplicações práticas no cotidiano.

CONDIÇÕES “ANORMAIS” DA NATUREZA

            Não podemos esquecer que a Natureza oferece condições insalubres e dolorosas como as intempéries (inundações, variações climáticas, etc.), alterações patológicas (doenças genéticas e ou “de nascença”, etc.), acidentes de várias origens, etc..

            Tudo isto gera contextos reais, nos indivíduos e nos que os rodeiam que exigem gerenciamentos da qualidade (ainda que penosa) de Vida.

            Portanto as condições anormais da Natureza não alteram o conceito de Normalidade acima descrito.

CIVILIZAÇÃO, BENEFÍCIOS E PREJUÍZOS

            Este é um assunto muito amplo e polêmico.

            Todavia, não poderia deixa-lo sem bordar, por simples coerência.

            É inegável que são imensos os benefícios gerados pela civilização do ser humano.

            Todavia, o preço de cada benefício é também expressivo.

            Estamos presenciando na atualidade que começamos a reconsiderar a nossa maneira de ser e viver, quando as nossas atenções voltam-se para a preservação ambiental afetada pelo comportamento da espécie humana.

            O impasse gerado pela polêmica entre os preservacionistas e os poluidores está encontrando uma solução com o conceito de desenvolvimento sustentável. E, em minha opinião este conceito é exatamente a aplicação dos 7 itens da NORMALIDADE (desenvolver sem destruir), gerenciando a qualidade de vida que todos queremos.

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